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Raif Badawi o Direito de Ser Blogger

Somos todos Raif Badawi, se acreditamos que a liberdade de expessão é um direito inalienável da Pessoa Humana, então todos somos Raif Badawi.

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O Humanismo mais que uma ideologia é uma praxis ao alcance de cada um de nós, somos chamados a fazer o que estiver ao nosso alcance e de acordo com as nossas possibilidades em prol do bem comum.

A Terceira Idade e a Cultura Intergeracional

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A solidariedade social, mais que comunhão de esforços em prol de causas é o dar-se em prol dos nossos semelhante, é um dos temas centrais deste blog,.

Trabalhos Académicos, do Serviço Social e Sociologia à Ciência Política

Desde 2010 que o Etcetera, disponibiliza para consulta, um conjunto de estudos académicos de várias áreas da ciência, como sociologia, psicologia, ciência política, economia social entre outras.

Sugestões de Leitura - Lista de Livros

Lista de Livros, sugestão dos mais importantes da Literatura Universal e Humanista, o mais importante é ler bons livros e não sermos guiados pelos livros da moda.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Meu Pai Manoel João Leal


Meu Pai, uma das pessoas que mais admiro, foi o meu melhor amigo de sempre, Manoel João de Freitas Leal, nasceu na Ilha da Madeira, mais precisamente na Freguesia do Monte, no Funchal a 19 de setembro de 1925, após a morte do pai (o advogado Alfredo de Freitas Leal), a família muda-se para o continente no ano de 1936, tendo-se fixando primeiramente no Bairro da Lapa em Lisboa
Estudou arquitetura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL), em 1954, juntamente com outros colegas, participa da primeira exposição de Arte Moderna na Junta de Turismo de Cascais e nessa mesma época teria criado conhecido o arquiteto Raul Lino, a quem teria dedicado artigos sobre o seu livro, “A Casa Portuguesa” nos “Cadernos de Arquitetura”.
Exerceu a sua atividade profissional, principalmente como arquiteto, em particular dedicara-se à arquitetura de interiores e design, continuando simultaneamente a dedicar-se ao desenho e à pintura.
Entre 1960/61 trabalhou em Goa, no que era denominado na altura de Índia Portuguesa, composta ainda pelos enclaves de Diu e Damão, o projeto de trabalho consistia na reconstrução de monumentos históricos da Velha Goa, mais precisamente de igrejas católicas que foram construídas ainda no tempo dos descobrimentos, foi um episódio inesquecível pelo pitoresco da paisagem e o exotismo da cultura, além de ter convivido de perto com o Governador no palácio em Goa, todavia o trabalho veio a ser interrompido por força da invasão do exercito indiano e a anexação das possessões portuguesas à União Indiana por ordem de Nehru o então Primeiro Ministro da Índia.
Entre 1961 e 1969 e posteriormente ao ocorrido na India, Manoel João fundara a primeira loja em Portugal de Decoração moderna, a “Decor” com artigos vindos da Suécia e de outros países europeus, contendo também vários artigos do mais moderno design de então.
Posteriormente ingressa na revista “Arquitetura” da qual veio a ser Redator-chefe, mais tarde viria a ser diretor adjunto; Em 1969 ingressara na Radiotelevisão Portuguesa (RTP), sendo chefe do Departamento de Artes Gráficas e Visuais, simultaneamente a este cargo, organiza em setembro de 1970 uma exposição a pedido da Sociedade de Porcelanas de Alcobaça (SPAL), relativa ao primeiro concurso de Design Industrial realizado em Portugal; Fez parte do Júri juntamente com José Augusto França, Fernando Távora e Francisco Conceição Silva. Trabalhaou como arquiteto de interiores de 1972 a 1975 em associação com outros arquitectos como Emauz Silva, Moura George, entre outros, tendo feito a reforma de alguns teatros e cinemas de Lisboa, destacando-se os cinemas Roxy, Cine Alvalade, entre outros. 
Em 1972 é convidado pela Fundação Calouste Gulbenkian para um debate sobre a Reforma do Ensino Artístico em Portugal, nesse ano participa do Projeto de uma Praça Pública com Escultura na urbanização de Olivais Sul.
De 1976 emigra para o Brasil, tendo-se fixado em São Paulo, cidade onde morou até ao ano de 1992, nesse exílio voluntário por Terras de Vera Cruz, trabalha no em Arquitetura de Interiores, Design e Pintura; Foi aliás na longa estadia de São Paulo que encontrou mais estimulo e oportunidade de se dedicar à pintura onde realizou exposições: Espaço Escarpa em 1984, Galeria Humberto em 1986, Galeria Paulista em 1990 entre outras exposições coletivas.
Depois de voltar a Portugal em 1992, regressa a Lisboa , dedicando-se à pintura; Em 2001 foi à grande Retrospetiva do Pintor Balthus no Palazzo Grassi na Bienal de Veneza, dessa viagem, mesmo não tendo estado ao lado de meu pai, o modo como descreveu a exposição, e sobretudo o que é estar naquela cidade, fazia-nos sentir como se nós mesmos tivéssemos ido.
Em 2013, aos 88 anos, sofreu um acidente cardiovascular, tendo ficado com sequelas, desde então, viveu os últimos anos em Sintra na companhia do seu companheiro, cuidador e melhor amigo, o meu irmão Miguel.
Em 17 de fevereiro partiu, creio que na certeza de ter cumprido a sua missão neste mundo.
Desde criança sinto que por trás de um bom profissional há sempre um grande homem, um grande amigo, e sobretudo um ótimo pai; Não há para mim, lugar mais sagrado que a memória de um ente querido, guardado nas lembranças dos mais felizes momentos vividos. Afinal é todo o que levamos, todo o resto deixamos cá, a nossa obra, a nossa missão cumprida.

Este artigo foi inicialmente escrito em 2009 e atualizado em 2017.


Autor Filipe de Freitas Leal


Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.